Se você já ouviu falar em acessibilidade web, provavelmente esbarrou na sigla WCAG. Ela aparece em auditorias, exigências legais e documentações técnicas — mas raramente alguém explica o que é de forma direta.
Este artigo faz isso.
O que é WCAG
WCAG significa Web Content Accessibility Guidelines — Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web. É um conjunto de critérios técnicos publicado pelo W3C (o consórcio que define os padrões da web) para garantir que sites e aplicações sejam utilizáveis por pessoas com deficiência.
A versão atual é a WCAG 2.1, publicada em 2018. Em 2023, o W3C lançou a WCAG 2.2, que adiciona 9 critérios novos — principalmente relacionados a dispositivos móveis e deficiências cognitivas.
Os quatro princípios
Todo o WCAG se organiza em torno de quatro princípios fundamentais, conhecidos pelo acrônimo POUR:
- Perceptível — a informação precisa ser apresentada de forma que os usuários possam percebê-la (texto alternativo em imagens, legendas em vídeos)
- Operável — os componentes de interface precisam ser operáveis (navegação por teclado, tempo suficiente para interações)
- Compreensível — a informação e a operação da interface precisam ser compreensíveis (linguagem clara, prevenção de erros em formulários)
- Robusto — o conteúdo precisa ser interpretável por tecnologias assistivas atuais e futuras (HTML semântico correto)
Os três níveis de conformidade
O WCAG divide seus critérios em três níveis de exigência:
Nível A — mínimo absoluto
30 critérios. São os requisitos básicos sem os quais um site simplesmente bloqueia determinados usuários. Um exemplo: se uma imagem transmite informação e não tem texto alternativo, um usuário cego não tem acesso a essa informação. Isso é falha Nível A.
Uma única falha no Nível A já impede qualquer declaração de conformidade WCAG.
Nível AA — padrão de mercado
Mais 20 critérios adicionados ao A. É o nível exigido pela Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) para sites e sistemas digitais de uso coletivo. Inclui critérios como contraste mínimo de texto (4,5:1), redimensionamento de texto até 200% sem perda de funcionalidade, e foco visível em elementos interativos.
AA é o mínimo que qualquer site deve atingir.
Nível AAA — excelência
Mais 28 critérios. O próprio W3C reconhece que não é possível satisfazer todos os critérios AAA para todos os tipos de conteúdo — ele não é recomendado como meta global de conformidade, mas critérios individuais AAA podem e devem ser aplicados quando pertinentes.
O Web para Todos adota AAA como meta em sua própria interface. Contraste mínimo de 7:1, alvos de toque de pelo menos 44×44px, foco com aparência claramente definida.
Quantos critérios existem no total
| Nível | Critérios | Acumulado |
|---|---|---|
| A | 30 | 30 |
| AA | +20 | 50 |
| AAA | +28 | 78 |
O WCAG 2.2 adiciona 9 critérios novos distribuídos entre AA e AAA, chegando a 87 no total.
E o eMAG?
O eMAG 3.1 é o padrão brasileiro de acessibilidade para sites do governo federal. Ele é baseado no WCAG, mas adiciona 45 recomendações específicas para o contexto brasileiro — como a barra de acessibilidade com teclas de atalho padronizadas.
Para sites privados, o eMAG não é obrigatório, mas serve como referência complementar de boas práticas.
Como começar na prática
A melhor forma de começar é entender os erros mais comuns — e eles se repetem muito. Contraste insuficiente, imagens sem texto alternativo, formulários sem labels e navegação impossível por teclado respondem por mais de 60% das falhas encontradas em auditorias automatizadas.
Use o Analisador do Web para Todos para obter um diagnóstico inicial do seu site — ele verifica automaticamente dezenas de critérios WCAG e indica onde estão os problemas.
A conformidade não acontece de uma vez. Acontece critério por critério, página por página.
Critério de referência: WCAG 2.1 — w3.org/TR/WCAG21 Legislação: Lei nº 13.146/2015 — Lei Brasileira de Inclusão